FotoArt: GMK Imagens Division

Em uma cidadezinha banhada pelas águas do São Francisco, onde as procissões iluminam as ruas de pedra e a fé ressoa em cada esquina, um simples presente de aniversário se tornaria o centro de um mistério sombrio.

Era 2014, e o aniversário de quatro anos da pequena Ana se aproximava. A mãe, sempre cuidadosa com as finanças, buscava algo acessível, mas especial. Em uma loja modesta, entre prateleiras empoeiradas e brinquedos de plástico sem marca, encontrou uma boneca diferente.

Era uma daquelas bonecas de borracha antiga, com a pele rosada e macia. Seus olhos pareciam vivos, e ela usava apenas uma fralda de pano, forrada com algodão. O detalhe estranho era a embalagem: destoava completamente do brinquedo, exibindo apenas o nome SUPERTOY, cercado por escritos em mandarim e símbolos indecifráveis.

Mas o desejo de ver a filha feliz falou mais alto.

Na festa, Ana abraçou a boneca com carinho, sem saber que aquele presente carregava algo além de um simples brinquedo. Dias depois, a casa começou a mudar. O ar se tornara pesado, como se uma sombra invisível se escondesse nos cantos. As brigas entre os familiares aumentaram, o irmão mais velho de Ana passou a agir de forma estranha, afastando-se da família e se envolvendo em confusões.

Então, algo mais aconteceu.

A boneca, antes vibrante, começou a perder a cor. Sua pele ficou pálida, os cabelos pareciam rarear, e um de seus olhos escureceu gradualmente, como se uma sombra crescesse dentro dele. A mãe, preocupada, pensou que Ana pudesse ter pintado o brinquedo. Mas ao investigar de perto, sentiu um arrepio na espinha.

Com mãos trêmulas, decidiu examinar a fralda. Ao abri-la, encontrou um pequeno pedaço de papel amarelado, com palavras escritas em uma caligrafia rústica:

“Ad Dominum Satanas”

Ao redor, os números 3, 6 e 9 estavam repetidos, quase como um sussurro preso no papel.

O coração da mãe disparou. Um instinto antigo, talvez herdado das rezas dos avós, gritou dentro dela. Sem pensar, lançou a boneca no lixo e fechou os olhos, murmurando orações.

Naquela mesma noite, o peso invisível que sufocava a casa desapareceu. O ambiente voltou ao normal, e, com o tempo, o filho mais velho encontrou seu caminho, afastando-se das más companhias.

Nunca mais falaram da boneca.

E, até hoje, ninguém sabe como ela foi parar naquela loja.

Mas uma coisa é certa: nunca mais compraram brinquedos sem antes sentir a paz ao tocá-los.